23 de out de 2010

Sobre norma Anvisa que muda normas de antibióticos para conter superbactéria

Ler essa notícia me deixou revoltado...
 
Desde os 25 anos tento utilizar o SUS quando preciso e é sempre a mesma coisa, filas intermináveis e tenho que AGENDAR um pronto atendimento. É ridículo. Na rede particular, quando utilizava, ao suspeitar de uma infecção, procurava um médico e já cheguei a exigir dele um pedido de cultura com antibiograma que ficava pronta em 24h. Ele preferiu arriscar, não pedir exames e me injetar Benzetacil, que só poderia ser injetado no hospital, caso eu tivesse um choque anafilático. Eu me arrisquei sim, tomando um antibiótico de balcão de farmácia, e sarei. Se tivesse tomado benzetacil, sem um exame, além do risco de um choque, esse remédio poderia diminuir ainda mais minha imunidade e dar lugar pra infecção se espalhar, caso fosse uma bactéria resistente ao medicamento.  E não foi só uma vez que isso aconteceu, pedir antibiograma e um médico qualquer passar antibióticos fortíssimos enquanto antibióticos de menor espectro, com menores efeitos colaterias, administrados de forma correta e na dose certa dariam conta da infecção. Alias, NUNCA fiz um antibiograma na vida pedido por um médico.

 
Antibiograma - o halo (transparente) mostra onde a bactéria não cresceu na presença dos antibióticos (pedacinhos de papel embebidos em antibiótico.

A resistência bacteriana só existe pelo uso indiscriminado de antibióticos pelos próprios médicos, que os receitam a torta e a direita. Por culpa de hospitais, que não treinam seus profissionais, e pela falta de controle dos ambientes hospitalares, falta de destino correto de seus esgotos, lixo e outros. Pelos produtores rurais, que usam doses exageradas e "preventivas" de antibióticos em animais de corte. Até mesmo fungicidas aplicados em plantações.

  

Estão querendo jogar a culpa do uso indiscriminado de antibióticos na população, e os próprios médicos passam os antibióticos sem os devidos exames. Será vão reter as receitas também emitidas pelos veterinários? Vão impedir que as fezes e outros dejetos de animais medicados tenham contato com o meio ambiente, quando esses são tratados com antibióticos indiscriminadamente? Vão também cuidar da desinfecção dos hospitais, feitas de forma correta? Ajustar os hospitais nas normas pra que não se tenha maçanetas, cantos, arestas, pisos com buracos, microporos por causa de pisos de cimento ao invés de pisos emborrachados? Treinamento dos profissionais? Nunca ouvi falar de infecções por bactérias resistentes que não sejam pegas ou que a origem da bactéria resistente tenha sido de DENTRO dos hospitais. Não seriam eles os responsáveis?

 
 


E mais, empresas de antibióticos naturais, produzidos por espécies de actinobactérias por via fermentativa se aproveitam da falta de legislação e fiscalização no Brasil, se instalam aqui, vendem pro mundo todo, principalmente para países onde a fiscalização é dura, e não tratam 100% dos seus dejetos. São obrigados a tratar seus resíduos como qualquer indústria fermentativa. O mostro e resto de caldo fermentado é tratado em tanques aerados, e os resíduos de antibióticos nesse mostro entram em contato com bactérias pra reduzir DBO e DQO. São obrigados a reduzir 90% da matéria orgânica e coloração e outros, e o resto desse resíduo tratado é jogada no esgoto e em rios. Não existe controle de quanto antibiótico vai parar nos rios, ou como essas bactérias dos tanques já adquiriram resistência ao antibiótico e vão parar no meio ambiente.


Agora, vai pro SUS pedir a receita de antibiótico que você vai esperar 2 meses pra achar vaga, e sua infecçãozinha já te matou. Esta medida da ANVISA não passa de uma medida mal caráter pra que médicos aumentem suas receitas, e não estou falando do tipo de receita que prescrevem.
No dia que o sistema de saúde for um sistema ideal, seja pública e privada, e houver controle na produção e utilização dos medicamentos pelos hospitais e médicos, e quando os MÉDICOS NÃO PUDEREM RECEITAR ANTIBIÓTICOS SEM RESULTADO DE UM ANTIBIOGRAMA!!! aí eu vou aceitar uma imposição de que eu não posso comprar medicamentos sem consultar um médico, que atualmente me cobra 150 reais numa consulta particular pra olhar pra minha cara e receitar um antibiótico pra minha sinusite ou dor de garganta sem um exame detalhado. 
Essa carta está sendo enviada pra ANVISA e ao Ministério da Saúde e espero o mesmo de vocês, tenham planos de saúde ou não, por que tratar um problema, botando a carroça na frente dos bois, só vai gerar mais problemas a população do que uma bactéria que JÁ está ultrarresistente, não por culpa da população, mas por culpa de médicos como José Gomes Temporão, Ministro da Saúde, filiado ao PSDB, que se preocupam mais com a própria receita do que com a saúde da população.

A KPC está resistente a todos os antibióticos. Inclusive aos mais novos e mais poderosos medicamentos, e a população em geral JÁ não pode comprar medicamentos de alta potência sem receita. Entre ir ao médico que recebe dinheiro de laboratórios pra receitar o medicamento deles, e nem me exigir exames, prefiro ir no balcão e deixar o médico pra questões mais sérias do que uma dor de garganta, uma vez que eles não pedem antibiograma. Por que não obrigam exame de antibiograma antes de dar receita antes de obrigar a população a ir no médico e sobrecarregar um sistema, publico e privado, que não funciona e tem demora de atendimento? Ou será que ninguém viu que consultas pra serem marcadas, tanto na rede pública ou privada demora 3 meses?

 

Espero providências sérias a serem tomadas, não pra ser populista e fazer medidas de impacto como essa, ao invés de controlar melhor os hospitais e recursos pra que esses sejam adequados a controle de infecções hospitalares, desinfecção dos mesmos, profissionais treinados, e capacidade de atendimento a toda população de forma efetiva e com qualidade, inclusive pedir exames simples, rápidos e eficientes pra conter problemas como esse. Falta espaço, profissionais, e qualidade de atendimento... com todos esses problemas, ainda proíbem profissionais capacitados como os biólogos de fazer análises clínicas. Ótimo, não é, por que tem muitos profissionais sobrando no mercado sem emprego. Nos EUA, médicos são OBRIGADOS a fazer 2 a 3 anos de biologia, com a turma de biólogos, biomédicos, enfermeiros e veterinários, e só podem fazer o curso de medicina se tiverem as melhores notas da turma. Fazem matérias como microbiologia geral, microbiologia ambiental e ecologia pra entender como essas coisas, como resistência bacteriana se relaciona como a população e o meio ambiente. Aqui no Brasil, faculdades particulares cobram 5 mil reais de mensalidade pra quem quiser passar e tiver condições de pagar pra qualquer um riquinho filho de médico seguir os passos de papai.

No dia que a população tiver um serviço médico DECENTE! ninguém vai pegar remédio em balcão de farmácia sem receita.


Deixo aqui minha indgnação


"Anvisa muda normas de antibióticos para conter superbactéria



Para adquirir o produto, o consumidor seria obrigado a ter um tipo de receita que é retida na farmácia, como os controlados
O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta terça-feira (19) que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve editar uma nova norma para a compra de antibióticos nas farmácias, em resposta ao surto de bactéria super-resistente Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). Para adquirir o produto, o consumidor seria obrigado a ter um tipo de receita que é retida na farmácia, exatamente como é feito com os medicamentos controlados. A medida dever ser editada em dezembro, segundo o órgão.
"Infelizmente no Brasil nós ainda temos uso indiscriminado de antibióticos. A Anvisa está concluindo uma nova regulamentação a partir da qual o acesso ao antibiótico nas farmácias só vai poder se dar através de receita médica. O autoconsumo, o consumo irresponsável, a má prescrição é que levam a situações como essa", afirmou Temporão.
As mudanças serão feitas para coibir o uso indiscriminado de antibióticos, que leva à população a ficar mais resistente ao medicamento, fazendo com que o organismo não reaja tão bem no caso de infecções mais graves. Para Temporão, esse pode ter sido o motivo para o surgimento da superbactéria KPC.
O ministro disse que, por enquanto, o surto se restringe a Brasília. "Claro que temos que analisar questões internas que podem ter levado a falhas no processo de controle de infecção hospitalar. Se aconteceu este problema aqui é porque houve falha em algum momento do processo", afirmou.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal divulgou na última sexta-feira que o número total de pacientes suspeitos de portarem a bactéria é de 135. O crescimento é de 25% em relação à semana passada, quando o governo informou um total de 108 casos suspeitos, de janeiro a outubro deste ano. Apesar disso, a secretaria diminuiu o número de mortes ligadas à infecção. Na semana passada, eram 18 óbitos, mas três foram descartados como sendo relacionados à KPC. Até o momento, a bactéria foi identificada em 16 hospitais, nove públicos e sete privados.
Ao adquirir uma enzima, a bactéria se tornou resistente a um grupo de antibióticos, incluindo os mais potentes contra infecções, e pode se tornar insensível aos três únicos antibióticos que restaram para o seu tratamento."

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